“O meu primeiro amor”

Olho para ti do outro lado da mesa do café e noto como cresceste. Os fios brancos que já teimam em aparecer de vez em quando, embora poucos no meio do teu cabelo preto, as rugas das milhares de vezes que sorriste, riste e choraste, os ombros mais largos e os traços mais definidos. Sim, eu cresci também, e já não somos duas crianças. Afinal já faz dez anos desde a primeira vez que nos conhecemos.Captura de ecrã - 2013-01-23, 05.38.01

Foste o meu amor de adolescência. Aquela pessoa que me mostrou que eu já não era uma criança, embora ainda não soubesse tudo. Fizeste-me sentir pela primeira vez a alegria da paixão, e também a dor de perder alguém.

Quando sorris, ainda mexes comigo como da primeira vez. Penso que vais sempre mexer comigo. Vais-me fazer sempre questionar o que poderia ter sido. Vais ser, para sempre, o meu “e se”.

Olho para ti e penso como é possível que já não sejamos os mesmos. Como é raro que hoje, como em tantas ocasiões, a vida nos coloca no caminho um do outro. “Somos o destino um do outro”, costumavas dizer-me em tom de brincadeira, quando nos voltávamos a falar depois de meses, anos, sem contacto, por um acaso. Gosto de acreditar que sim.

Gostava de te poder perguntar se achas que estaríamos juntos agora se nunca a tivesses conhecido. Ela, a que eu considero ser a tua mulher, a futura mãe dos teus filhos, com quem estás praticamente desde que seguimos os nossos caminhos, quem escolheste sobre as dúvidas que tinhas de nós dois. Pergunto-me se não preferiste ficar com ela por teres medo do que poderia acontecer se nos deixássemos levar pelos instintos. Eu também tinha medo, e ainda o tenho. Já nos ferimos demasiado antes, na mesma proporção que nos fizemos felizes.

Eu sei que por vezes também tens dúvidas se fizeste a escolha certa. Já mo disseste antes, naquelas noites em que vinhas ter a minha casa e ficávamos horas a conversar no teu carro. Já mo mostraste nas horas em que ficamos abraçados sem dizer nada. Não precisamos falar, conhecemos tudo o que há para conhecer um sobre o outro e sempre teremos um lugar especial nos nossos corações.

Foste o primeiro que eu deixei ir, de quem eu abri mão pela sua felicidade. Eu sei que nunca te conseguiria fazer feliz. E se hoje decidíssemos dar outra oportunidade a este amor de infância, não resultaria. Estamos demasiado idealizados. Tu estás demasiado idealizado na minha cabeça.

Mas isso não significa que não te ame. “Não é amor”, disseste-me tu à tantos anos atrás quando proferi estas palavras pela primeira vez. Sim, era amor. E ainda o é. Vou amar-te para sempre, da mesma maneira infantil e ingénua como nunca vou conseguir amar mais ninguém. Vais ser aquele de quem vou falar aos meus filhos e netos quando chorarem pelos seus primeiros corações partidos. Vais sempre fazer parte da minha vida.

E espero que a vida nos continue a fazer o destino um do outro, independentemente do caminho por que nos leve. Espero que passem mais dez anos e volte a ver o teu sorriso e me apaixone como de todas as outras vezes, por mais enrugadas que estejam as nossas caras, por mais branco que esteja o nosso cabelo, e independentemente de quem esteja do nosso lado.

Foste, e serás para sempre, o meu primeiro amor.

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